Meu Deus;

por Mahatma Ganghi

Meu Deus… Ajuda-me a dizer a palavra da verdade na cara dos fortes, e a não mentir para obter o aplauso dos débeis.

Se me dás dinheiro, não tomes a minha felicidade, e se me dás forças, não tires o meu raciocínio.

Se me dás êxito, não me tires a humildade se me dás humildade, não tires a minha dignidade.

Ajuda-me a conhecer a outra face da realidade, e não me deixes acusar os meus adversários, apodando-os de traidores, porque não partilham o meu critério.

Ensina-me a amar os outros como me amo a mim mesmo, e a julgar-me como o faço com os outros.

Não me deixes embriagar com o êxito, quando o consigo, nem a desesperar, se fracasso. Sobretudo, faz-me sempre recordar que o fracasso é a prova que antecede o êxito.

Ensina-me que a tolerância é o mais alto grau da força e que o desejo de vingança é a primeira manifestação da debilidade.

Se me despojas do dinheiro, deixa-me a esperança, e se me despojas do êxito, deixa-me a força de vontade para poder vencer o fracasso.

Se me despojas do dom da saúde deixa-me a graça da fé.

Se causo dano a alguém, dá-me a força da desculpa, e se alguém me causa dano, dá-me a força do perdão e da clemência.

Meu Deus… se me esquecer de Ti Tu não Te esqueças de mim!







 

Morrer para viver mais e melhor

por Leonardo Boff.

O sentido da vida depende do sentido que damos à morte. Se a morte é vista como simples negação da vida e como tragédia biológica, então vale o que São Paulo já dizia: “comamos e bebamos, pois amanhã morreremos”.

Mas há culturas que lhe deram um sentido mais alto. Ela é oportunidade de construir o próprio destino e de plasmar o mundo à nossa volta consoante um projeto civilizatório.

O cristianismo, por sua vez, propõe a sua representação da morte. Não contrária à vida, mas como uma invenção inteligente da vida para poder dar um mergulho radical na Fonte de toda vida. A morte não seria um fim-termo, mas um fim-meta alcançada, um peregrinar rumo ao Grande Útero paternal e maternal que enfim nos acolherá definitavamente.

Dentro do cristianismo desenvolveu-se, com referência à morte, uma tradição de grande significação e de sentido de festa. Trata-se da tradição franciscana. Francisco de Assis conseguira uma reconciliação bem sucedida com todas as coisas, com as profundezas mais obscuras de nossa vida e com suas dimensões mais luminosas. Cantava a morte como irmã. Não como bruxa que nos vem arrebatar a vida, mas como irmã que nos introduz no reino da plena liberdade. Morreu cantando salmos e cantigas de amor da Provence.

Os franciscanos todos guardam esta herança sagrada na forma como celebram a morte de algum confrade, membro da comunidade. A mim, como frade (que ainda sou em espírito) me tocou vivenciá-lo inúmeras vezes. É simplesmente comovedor - uma pequena antecipação do novo céu e da nova Terra - dentro deste já cansado planeta. Ao se aproximar a morte do confrade, toda a comunidade se reúne ao redor de seu leito. Recitam-se salmos e orações, infundindo confiança ao moribundo para o Grande Encontro. No dia em que morre, à noite faz-se festa. É a chamada “recreação”. Ai há confraternização, comida, bebida, comentários sobre a saga pessoal do confrade falecido e jogos de vários tipos.

No dia seguinte faz-se o enterro. E à noite, nova “recreação” festiva. O que se esconde atrás desse rito de passagem? Esconde-se a crença de que a morte é o vere dies natalis, o verdadeiro Natal da pessoa, o momento em que acaba de nascer definitivamente. Como não estamos ainda prontos, embora inteiros, cada dia vamos nascendo, progressivamente, até acabar de nascer. Isso se dá na morte. Esta não é a campa da vida. É seu berço. Quem pode se entristecer com o nascimento da vida? É Natal e Páscoa, magnificação da vida mortal que a partir da morte se eterniza. Portanto, há bons motivos para festejar e celebrar.

O efeito desta compreensão é a desdramatização da morte e a jovialidade da vida. A vida não foi criada para terminar na morte, mas para se transformar através da morte. Esta representa aquele momento alquímico de passagem para uma outra ordem de realidade, onde a vida pode continuar sua trajetória de expressão das infinitas possibilidades que contem, até aquela de poder se fundir com a Suprema Realidade.

Então podemos dizer: não vivemos para morrer. Morremos para viver mais. Melhor ainda: para permitir a ressurreição da carne que é a revolução dentro da evolução.







 

A Harpa de dez cordas

por Jean Yves Leloup.

Segundo um conhecimento ancestral, o ser humano é uma harpa com dez cordas, cada uma delas representando um nível do corpo. E elas precisam estar em afinação não só para que o indivíduo alcance equilíbrio físico, mental e espiritual mas também para que duas pessoas experimentem a comunhão em seu estágio mais elevado: o sagrado. O psicólogo, padre ortodoxo e teólogo francês Jean-Yves Leloup reafirma essa teoria e explica como alcançar a comunhão nas diversas linguagens do corpo.

Texto: Wilston F. D. Weigl

O que é o corpo e o que ele representa? A morada do espírito ou um obstáculo à vida espiritual? O veículo para tomarmos consciência da presença divina que nos habita ou, ao contrário, uma prisão que nos encarcera nos limites da dor física e do sofrimento? Essa reflexão, tão extensa quanto profunda, foi o ponto de partida da palestra Corpo: Encontro do Sagrado com o Profano, do filósofo, psicólogo, padre ortodoxo e teólogo francês Jean-Yves Leloup, em visita ao Brasil. Aos 56 anos, Leloup, além de um conferencista reconhecido internacionalmente, é autor de diversos livros sobre a espiritualidade. Entre elas estão O Corpo e Seus Símbolos (ed. Vozes), A Sabedoria do Salgueiro (ed. Verus) e O Romance de Maria Madalena (ed. Verus). Na obra mais recente, O Ícone - Uma Escola do Olhar (ed. Unesp), ele analisa as representações sacras da igreja cristã ortodoxa.

“Para alguns, o corpo é tudo, enquanto para outros não significa nada”, pondera Leloup. “Mas, antes de nos interrogarmos sobre o corpo, precisamos nos maravilhar com ele.” Para o teólogo, a alma dá forma ao corpo: sem sua presença, ele se dissolve. “Então, cuidar do corpo significa cuidar da alma que o anima”, explica. “Tomar consciência da vida que se incorpora em cada um de nós, essa é uma experiência sagrada. Profano é o esquecimento do ser que se encarna nesse corpo. Por isso, existem pessoas que são como casas inabitadas: há a bela aparência exterior, mas não há nada dentro delas.” Leia mais »







 

Os Anjos falam, tempos antigos e atuais.

Pierre Weil
Editora Letrativa Ltda.
Ano: 2.005.

Os Anjos falam, tempos antigos e atuais.

Este é um livro muito especial e, sobretudo, inusitado. Centra-se numa temática convergente: a do Anjo e da transcomunicacão.

Representa uma Aliança entre tempos antigos e atuais, extrapolando a questão meramente abstrata e especulativa, introduzindo-nos a um laboratório, vivo e impactante, de uma experiência em que o invisível, o Infinito toca o finito, nele deixando vestígios e vertigens indeléveis.