O Dhammapada, Cap. V - O Tolo

1. Longa é a noite para quem não consegue dormir.  Longo é um yojana (distância de quinze quilômetros) para quem está cansado. Longo é o caminho do nascimento e da morte para o tolo que não conhece a verdadeira lei.

2. Se  um caminhante não encontra alguém melhor que ele, ou igual a ele, que prossiga decididamente sozinho em sua jornada.  Não há companhia com tolos.

3. O tolo se preocupa pensando: “Tenho filhos ; tenho riqueza.”  Nem ele próprio pertence a si mesmo. O que dizer dos filhos? O que dizer da riqueza?

4. O tolo que tem consciência da sua tolice é até certo ponto sábio ; mas um tolo que se considera sábio é realmente tolo.

5. Mesmo relacionando-se com um homem sábio durante toda a sua vida, um tolo não vê a verdade, assim como uma colher não aprecia o gosto da sopa.

6. Relacionando-se com um homem sábio, uma pessoa  que está  habituada a pensar em pouco tempo percebe a verdade, assim como a língua aprecia o sabor da sopa.

7. Os tolos  de escassa compreensão são os seus próprios inimigos ; eles fazem más ações  que produzem frutos amargos.

8. Mal feita é aquela ação em relação à qual o arrependimento é necessário ; é com dor e lágrimas que o homem recebe as suas consequências. Leia mais »







 

O Dhammapada, Cap. IV - Flores

1. Quem vencerá esta terra?  E quem vencerá a esfera de Yama,  o deus da morte?  E quem vencerá o mundo dos deuses felizes? E  quem escolherá os passos do Caminho da Lei, assim como um jardineiro seleciona as melhores flores?

2. O discípulo vencerá esta Terra. Também vencerá Yamaloka[1] .  E também a esfera dos deuses. O discípulo decide avançar pelo Caminho da Lei. Ele é o jardineiro hábil que seleciona as melhores flores.

3. Sabendo que esse corpo é como espuma, sabendo que ele tem a substância de uma miragem, e quebrando as flechas floridas de Mara, o discípulo passa intocado pela morte.

4. A morte carrega o ser humano cuja mente se dedica a colher as flores dos sentidos, assim como uma forte inundação carrega consigo uma aldeia adormecida. Leia mais »







 

O Dhammapada, Cap. III - A Mente

1. Do mesmo modo como o produtor de  flechas torna sua flecha reta, o sábio torna reto o seu pensamento  distorcido.  O pensamento é difícil de vigiar. É difícil de controlar.

2. Como um peixe arrancado do seu ambiente aquático e  atirado no sólo, a mente treme e salta ao deixar o  reino de Mara.

3. O pensamento é difícil de disciplinar. A mente  é inconstante, e toma as cores daquilo em que pensa. Bom é dominá-la. A mente dominada  produz felicidade.

4. O sábio deve observar seu pensamento.  A mente se move com extrema sutileza  e não é notada. Ela se apega a tudo o que deseja. Observar a mente leva à felicidade.

5. Quem controla sua mente escapa da dominação de Mara.  A mente é incorpórea, se movimenta sozinha, viaja rápido e descansa na caverna do coração.

6. A sabedoria não preenche a mente instável do ser humano cuja serenidade se perturba; ele não conhece o verdadeiro  ensinamento.

7. Não há medo para aquele cuja mente não está queimando com desejos e que, tendo-se erguido acima de apegos e rejeições, é sereno. Ele está desperto. Leia mais »







 

O Dhammapada, Cap. II - A Atenção

1. A atenção é o caminho para a Vida Eterna.  A  desatenção é o caminho  para a morte. Quem é atento e  reflexivo não morre.  O desatento já está morto.

2. Os sábios entendem isso claramente.  Como consequência,  eles têm prazer na atenta vigilância.  Eles  percorrem o caminho dos Árias[3], os Nobres.

3. Meditativos, perseverantes, sempre intensos em seus esforços, aqueles que são tranquilos alcançam o Nirvana, a mais alta libertação e felicidade.

4. Cresce continuamente a glória de quem é atento e concentrado, daquele cujas ações são puras, cujos atos são conscientes,  daquele que é auto-controlado e que vive de acordo com a Lei.

5. Através do esforço, da atenção, da disciplina e do auto-controle,  o sábio constrói para si mesmo uma ilha que nenhuma inundação pode dominar. Leia mais »