Mensagem de divina luz

Jean Yves Leloup. 

Conta-se a estória de uma mulher que procurava seu tesouro na praça da cidade.
Os habitantes, bem intencionados a seu respeito, ajudam-na a procurar seu tesouro nesta praça e nas ruas.

Até o momento em que um de seus com amigos lhe pergunta: “Mas onde você perdeu o seu tesouro!?

A mulher lhe responde: ‘No meu quarto’. ‘Mas você é louca! Você procura e nos faz procurar na rua o que você perdeu em seu quarto!’
‘E você, meu amigo, responde-lhe a mulher, você procura a paz, a felicidade, na praça, na rua.

Você percorre o mundo em vão, para procurar o que você perdeu em seu quarto…
Em seu coração, é lá que é preciso procurar.
Procurar o que se encontra lá, desde sempre.

Algumas versões da estória precisam: ‘
‘Eu procura meu tesouro na rua, porque lá tem mais luz; meu quarto é escuro’.
Alguns procuram a paz lá onde tem luz, a luz das explicações,
dos raciocínios, das justificações, das distrações, do consumo…
A luz relativa de nossos ‘pequenos mundos’  e de nossos pretensos saberes.
Mas lá não há paz.

Às vezes é preciso aventurar-se na obscuridade de seu quarto, remexer em alguns cantos inconsciente. Há obscuridades mais brilhantes que nossos vaga-lumes ou que nossos lampadários.

Há ‘noites estreladas’ e aqueles que são iluminados por elas,
mais do que lâmpadas fluorescentes, se encontram, por vezes,
estranhamente pacificados”.







 

Holística, uma mutação de consciência.

por Dr. Roberto Crema.

“Portanto, fiquemos alerta - alerta em duplo sentido. Desde Auschwitz nós sabemos do que o ser humano é capaz. Desde Hiroshima nós sabemos o que está em jogo”. (Viktor E. Frankl)

Vivemos um período ao mesmo tempo aterrador e maravilhoso. É um momento especial de passagem, o parto de um ciclo onde morte e vida se abraçam num espasmo de dor e plenitude. Brahma, supremo deus da criação e Shiva, supremo deus da destruição, dançam juntos, neste instante, ao som da melodia universal que chamamos mutação.
Ao olhar mais atento, Vishnu, supremo deus da conservação, sorri com os braços abertos para acolher os aflitos filhos da Vida. Somos todos testemunhas privilegiadas, acordadas ou não, do nascimento de uma nova idade. A cada momento é possível percebermos um acréscimo de luz e de consciência à nossa volta, determinando uma espantosa aceleração de mudanças. Leia mais »







 

Deficiências.

por Mário Quintana (30/07 1906 - 05/05/1994).
Escritor gaúcho.

“Deficiente” é aquele que não consegue modificar sua vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive sem ter consciência de que é dono do seu destino.

“Louco” é quem não procura ser feliz com o que possui.

“Cego” é aquele que não vê seu próximo morrer de frio, de fome, de miséria, e só tem olhos para seus míseros problemas e pequenas dores.

“Surdo” é aquele que não tem tempo de ouvir um desabafo de um amigo, ou o apelo de um irmão. Pois está sempre apressado para o trabalho e quer garantir seus tostões no fim do mês.

“Mudo” é aquele que não consegue falar o que sente e se esconde por trás da máscara da hipocrisia.

“Paralítico” é quem não consegue andar na direção daqueles que precisam de sua ajuda.

“Diabético” é quem não consegue ser doce.

“Anão” é quem não sabe deixar o amor crescer.

E, finalmente, a pior das deficiências é ser miserável, pois: “Miseráveis” são todos que não conseguem falar com Deus.

“A amizade é um amor que nunca morre.”







 

A escada do desejo e do medo.

Jean-Yves Leloup.

É bom lembrar que o homem evolui através do desejo e do medo. Não há medo sem um desejo escondido e não há desejo que não traga consigo um medo. O desejo e o medo estão ligados. Temos medo do que desejamos e desejamos o que nos faz medo.

Na evolução de um ser humano, o medo não superado, o desejo bloqueado, vão gerar patologias. O medo superado, o desejo não bloqueado vão permitir a evolução. É o que Freud chama o jogo de Eros e Tanatos, do amor e da morte, o impulso de vida e o impulso de morte. Poderíamos dizer, em outra linguagem, que há em nós um desejo de plenitude, de Pleroma e o medo da destruição. E nossa vida evolui assim, através do nosso desejo de plenitude e o nosso medo de destruição.

Proponho a vocês uma escala, uma representação, uma imagem, e nós vamos tentar identificar as diferentes etapas do nosso medo e do nosso desejo, a fim de situar o medo de Jonas e situar o que na psicologia humanista chamamos o Complexo de Jonas. Na primeira etapa, a partir do momento em que nascemos, temos um impulso de vida, o desejo de viver, e ao mesmo tempo em que há o medo de morrer. O desejo e o medo nascem juntos e, desde que o homem nasce, ele é bastante velho para morrer. Portanto a vida e a morte estão juntas. Leia mais »