Mensagem de divina luz
Jean Yves Leloup.
Conta-se a estória de uma mulher que procurava seu tesouro na praça da cidade.
Os habitantes, bem intencionados a seu respeito, ajudam-na a procurar seu tesouro nesta praça e nas ruas.
Até o momento em que um de seus com amigos lhe pergunta: “Mas onde você perdeu o seu tesouro!?
A mulher lhe responde: ‘No meu quarto’. ‘Mas você é louca! Você procura e nos faz procurar na rua o que você perdeu em seu quarto!’
‘E você, meu amigo, responde-lhe a mulher, você procura a paz, a felicidade, na praça, na rua.
Você percorre o mundo em vão, para procurar o que você perdeu em seu quarto…
Em seu coração, é lá que é preciso procurar.
Procurar o que se encontra lá, desde sempre.
Algumas versões da estória precisam: ‘
‘Eu procura meu tesouro na rua, porque lá tem mais luz; meu quarto é escuro’.
Alguns procuram a paz lá onde tem luz, a luz das explicações,
dos raciocínios, das justificações, das distrações, do consumo…
A luz relativa de nossos ‘pequenos mundos’ e de nossos pretensos saberes.
Mas lá não há paz.
Às vezes é preciso aventurar-se na obscuridade de seu quarto, remexer em alguns cantos inconsciente. Há obscuridades mais brilhantes que nossos vaga-lumes ou que nossos lampadários.
Há ‘noites estreladas’ e aqueles que são iluminados por elas,
mais do que lâmpadas fluorescentes, se encontram, por vezes,
estranhamente pacificados”.